Estamos felizes em anunciar as últimas semanas de pré-venda de “Os filhos do nosso tempo”, da escritora Monalisa Sorio. Um livro de poemas sobre o maternar e poéticas de afeto que começou a ser escrito durante a gestação do filho da autora e foi concluído quando ele estava prestes a completar um ano. “O processo durou em torno de um ano e meio. Mas, certamente, é o resultado de muitos anos de busca, estudo e autoconhecimento”, nos conta a autora.

“A busca é a curiosidade que me fez questionar os “porquês” da vida e a relação do interior do indivíduo com o exterior, o outro e o mundo. O estudo é o conhecimento da nossa história como sociedade, da psicologia da mente humana e da religião e espiritualidade como motores de transformação. E, por fim, o autoconhecimento é a montanha russa da descoberta, fragilidade, questionamento e afirmação, quebra de ideais, reconstrução e aperfeiçoamento.”
Os filhos do nosso tempo é uma itinerância de sentimentos e questionamentos de Monalisa Sorio e que atravessa também o leitor da obra. Sem mais delongas, apresentamos uma mostra de três poemas inéditos do livro da autora:
SOLIDÃO
eu invento a minha solidão quando
escondo os meus anseios
tenho medo de não ser natural
do amor não ser surreal
eu descubro a minha solidão quando
não dou conta de tantas tarefas
e aceito a culpa fantasma
de não ser o suficiente
eu alimento a minha solidão quando
finjo que tudo é mágico
que não há dores e desafios
e que poucas horas de sono me bastam
eu sustento a minha solidão quando
digo que tudo é instintivo
transcendental
imponente
algumas coisas são só tentativa e frustração
tentativa e erro
cansaço e acerto
eu afasto a minha solidão quando
declaro minha maternidade humana
digo que amo, digo também que é difícil
compartilho, peço ajuda
e digo não
recuso a culpa arremessada
rejeito violências camufladas
peço por empatia
ou silêncio
PLENITUDE
eu vejo na vida adulta
uma mágica fascinante
de constatar
alguns momentos de alegria
enquanto acontecem
de felicidade, plenitude
e, imediatamente
saber de sua raridade
quando percebo
os segundos de intensa satisfação
tiro uma fotografia mental
de tudo que consegui captar
por que estas serão as cores que
ilustrarão minha memória
ontem
caminhamos alguns passos
na areia quente da orla
meu pequeno, minha cria
não sabia que experimentaria
os pezinhos no mar
[ah, que alegria!]
ver-te descobrindo sensações
saboreio o sentimento
de poder proporcionar tanta coisa
a fotografia registrou o céu azul
biquínis coloridos como pano de fundo
a areia lisa e quente
o sol do Rio de Janeiro
a água gelada e pulsante
fazendo palco para nós
naqueles segundos, eu sabia
o que estava vivendo
as sensações e o momento ficarão, para
sempre
em forma de energia vibrante
no infinito universo
PUERPÉRIO
—ah, eu voltei!
não estou falando do meu lado profissional
do trabalho, do ofício
nem ao menos para alguma cidade da qual
tenha partido
não falo de um lugar físico ou ocupação
poderia ser, mas não é sobre minhas formas
ou pesos
voltei
e não foi à rotina de antes
agora vejo que poderia ser de tantos lugares
ou estados
mas é sobre algo que não sei nomear
sair do puerpério, pra mim, é voltar
e cada pessoa que gerou uma vida
só ela
sabe quando voltou
Acesse a nossa lojinha e compre o seu! ATENÇÃO: “Os filhos do nosso tempo” está em pré-venda. As entregas acontecerão somente após o período de encerramento da pré-venda, em março de 2025.